Os sonhos despertam perguntas que nem sempre encontram respostas. Mesmo quando tentamos compreender suas imagens, histórias e sentimentos, parece existir sempre algo que permanece oculto.
Para Sigmund Freud, esse aspecto desconhecido faz parte da própria natureza do sonho e está relacionado ao desejo e ao funcionamento do inconsciente. É a partir dessa ideia que surge o conceito de “umbigo do sonho”, expressão usada pelo psicanalista para falar sobre aquilo que não pode ser completamente interpretado.
Freud fala sobre o umbigo do sonho:
“... existe pelo menos um ponto em todo o sonho no qual ele é insondável – um umbigo, por assim dizer, que é seu ponto de contato com o desconhecido” (1). E diz mais: “...é em um certo lugar em que essa malha é particularmente fechada que o desejo onírico se desenvolve, como um cogumelo de seu micélio. O obscuro do sonho a ser deixado sem interpretação é o que move o desejo” (2).
O sonho é, sem dúvida, um dos grandes mistérios da experiência humana. Ele nos coloca diante de algo que ainda não compreendemos completamente e nos leva a investigar o desconhecido, inclusive aquilo que pode estar relacionado aos nossos desejos.
Existe para Freud um enigma nos sonhos justamente porque nem tudo pode ser interpretado. Como ele afirma, “o obscuro do sonho a ser deixado sem interpretação é o que move o desejo”. Nesse sentido, o desejo não se resume às necessidades básicas relacionadas à sobrevivência.
Ele também envolve aquilo que buscamos, imaginamos e tentamos realizar, muitas vezes sem compreender completamente as razões que nos levam a desejar determinadas coisas. É nesse ponto que o inconsciente ganha importância: se nem sempre sabemos de onde vem um desejo, como podemos compreender aquilo que o coloca em movimento?
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O desejo é basicamente aquilo que nós tentamos fazer e não conseguimos durante o dia e até mesmo durante nossas vidas, mas para cumprir esse “tentar” nós chegamos de forma racional a traçar objetivos e planejamentos, mas quando falham os dois (objetivos e planejamentos), nosso inconsciente entra em ação e aciona o “mover dos desejos”, ou seja, o próprio sonho.
Sendo assim, quando vamos dormir essas “falhas” de objetivos e planejamentos do dia anterior ou da vida passada se manifesta através dos sonhos e, é aí onde o falar sobre o sonhos pode influenciar nossas vidas para o presente e para o futuro.
Creio que quando falamos sobre nossos sonhos com nós mesmos e com alguém (que seja de muita confiança), po?demos responder nossas perguntas primárias acima: Não, jamais interpretaremos tudo de um sonho. Sim, somente o fato de falar o sonho ou sobre o sonho é uma interpretação.
Sonhar é um direito do ser humano. Contar e interpretar os sonhos é querer entender sobre desejos.
Interpretação de sonhos:
Paulo Bregantin